03 maio 2007

«Em Ourém, falta cumprir Abril»

Realizou-se na noite de dia 24 de Abril, o tradicional jantar dos socialistas de Ourém, em celebração da revolução dos cravos.
Jantar que, este ano, contou com a presença do ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, do secretário nacional da JS, Pedro Nuno e do presidente da Distrital socialista, António Rodrigues.
Foi ao presidente da concelhia oureense, António Gameiro que coube abrir os discursos, reconhecendo o «salto qualitativo e quantitativo» dado pelo país nos últimos 33 anos. No entanto, e fazendo uma retrospectiva do que se passa em Ourém, António Gameiro considerou que, por cá, Abril ainda está por cumprir. A provar o que diz aponta exemplos do modo como a maioria trata a oposição, sendo que a situação mais recente se prende com a questão da atribuição de subsídios às colectividades. O PS terá votado contra os critérios da maioria mas as cartas enviadas por essa mesma maioria as colectividade o que diziam era que o PS tinha votado contra a atribuição e não contra os tais critérios. Para António Gameiro, esta é uma forma de fazer «baixa política» quando «faltam os argumentos». O presidente dos socialistas oureenses continua a apontar alegadas provas da falta de democracia do PSD concelhio mas considera que «com a ajuda do Governo» e apesar dos tempos difíceis, «temos conseguido algumas coisas para Ourém e já não podem dizer que o concelho não se desenvolve por causa do PS». Aponta as verbas para a via circundante à nova basílica de Fátima, a reestruturação da estrada para a Memória e o IC9 em construção, mas também a aposta nas novas tecnologias, a remodelação do tribunal de Ourém que deverá avançar em Maio e que trará mais um juiz e diz que «pelas mãos de Paulo Fonseca vamos ter uma loja do cidadão». Por isso, diz «já não se queixam do governo PS, porque não podem fazê-lo». É também por isso que diz que «aparecemos perante os oureenses de cara lavada, de forma tranquila e sem medos, porque esses tempos já lá vão». Termina deixando um aviso «aos que governam o concelho» para que «respeitem a oposição porque esta sempre soube respeitar as maiorias».
Falou depois José Alho que não se limitou a confirmar as acusações feitas por Gameiro. Alho quis recordar Salgueiro Maia. Referindo os seus tempos de recruta na escola de cavalaria de Santarém, Alho recorda o homem solitário dizendo que tal sempre lhe «fez confusão. Um homem de princípios, que nos trouxe a liberdade sem pedir nada em troca…». Diz ter sido «chocante ver a forma como foi marginalizado». E, «foi preciso passarem 30 anos para a sua imagem ser recuperada pela sociedade, dando-lhe o valor que merece». Para esse grande homem, José Alho pede uma ovação que acontece com a sala de pé.
Mas para José alho, da sociedade começam a vir sinais que nos obrigam a estar atentos e a olhá-los com alguma preocupação. É o caso de nas escolas se fazerem inquéritos que «transformam o 25 de Abril em algo que permitiu abrir as portas à criminalidade», é o facto do «ditador Salazar ter sido eleito como um grande português».
Daí que o vereador socialista afirme a importância de reafirmar os valores que Abril nos trouxe até para evitar que, poderes legitimamente sufragados pelos cidadãos, comecem a ser distorcidos e a intentar contra os próprios valores da liberdade.
Quanto a Ourém, José Alho diz que «as pessoas constatam que entrar em Ourém é entrar num concelho parado. Fala da derrapagem no orçamento do novo edifício dos Paços do Concelho para dizer que quando o PS denunciou o que se estava a passar, foi acusado de não dizer a verdade, mas a confirmação aí está.
Diz que a «arrogância ignorante e prepotente leva a sonegar informação ou a afirmar votações que não assumimos». Por isso acredita que «em 2009 vamos conseguir fazer a mudança». Como líder da equipa autárquica do PS, José Alho quis deixar um agradecimento a quantos, nas suas freguesias continuam a lutar por um concelho melhor.
Termina citando José Gomes Ferreira: «já foram ditas todas as palavras para salvar o mundo. Falta salvar o mundo». E para Alho «falta transformar a nossa terra num concelho onde dê gosto viver». Por isso, «é preciso acreditar e passar essa mensagem», começando, desde já «a fazer exercícios de aquecimento» porque «deve preocupar-nos o futuro da nossa terra».
Um país desigual
O líder nacional da JS centrou o seu discurso nas desigualdades sociais que não permitem que Abril se cumpra em pleno, ou não estivéssemos nós no ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos. O jovem recorda que as novas gerações, os jotas, não viveram a revolução. Das novas gerações de jotas, diz o líder da do PS que apenas sabem de ouvir contar. Por isso considera importante estar atento aos sinais de avanço das extremas-direitas europeias. Para já considera que o movimento português não é preocupante, considerando mesmo a extrema-direita portuguesa com «esquizofrénica» por andar a apontar baterias à imigração num país onde a maioria o foi também um dia. Mas é nas questões de desigualdade que insiste ao reconhecer que Portugal é ainda um dos países da Europa onde ela mais se faz sentir e, apesar disso, não é assunto que conste da agenda política nacional. Para Pedro Nuno «não pode abandonar-se o objectivo de construir-se uma sociedade mais igual» considerando que este terá que ser um objectivo prioritário de qualquer governo de esquerda. Por isso termina apontando algumas reformas levadas a cabo pelo PS e afirmando que «os socialistas estão a combater a desigualdade mas ainda há muito por fazer».
O último a usar da palavra foi o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva que falou da importância que têm estas celebrações para manter viva a memória de Abril e, sobretudo, para que se possa reflectir e questionar se «continuamos a cumprir as promessas que Abril nos trouxe». E o ministro considera ainda mais importante manter essa memória num momento em que «parecem abundar em Portugal viúvos e viúvas» de outros tempos. O ministro recorda o que se passava antes da revolução, as proibições e perseguições a censura, a inibição do exercício da cidadania. Fala do país actual, mais desenvolvido, democrático, integrado no maior mercado mundial, na região do mundo que mais preza os valores humanistas e que é farol da democracia.
Fala também da necessidade de recordar os heróis da revolução como Salgueiro Maia, mas também como Mário Soares, afirmando que «sem o PS dirigido por Mário Soares, não viveríamos hoje no país que vivemos e não estaríamos integrados na Europa».
Procurando fazer a reflexão sobre a prossecução ou não dos valores de Abril, Augusto Santos Silva considera que a Liberdade «não está em causa mas o país continua a bater-se por ela» dando o exemplo da Madeira onde é necessário lutar pela mudança de um «regime político que se tem baseado na opressão, no desrespeito pela oposição mas também pela pobreza escondida». Por isso defende a importância do empenho no combate de ideias contra os totalitarismos.
Por isso, depois de ouvir os locais, o ministro considera que «também em Ourém há um combate a travar», porque «democracia não quer apenas dizer liberdade, mas também participação política». Dá, também ele, alguns exemplos de políticas do seu governo que acredita estarem a contribuir para o combate às desigualdades. Uma luta que, acredita, tem que passar pela escolarização.

Homenageados
Como é de tradição, foram homenageados os 25 anos de militância, embora alguns dos homenageados não estivessem presentes e alguns, segundo Gameiro, nem sequer terão sido contactados, dado o desconhecimento do seu paradeiro. Foram homenageados: Manuel Aquino Ferreira, Maria do Rosário Nunes, António Batista Oliveira, Francisco Oliveira Santos, Artur Vieira, Cândido Coelho, António Reis Ferreira, Vítor Marques Diniz, Rui Manuel Diniz, Eduardo Jesus Silva, Alberto Mendes, António pereira de Sousa, Joaquim Ferreira Fonseca, Mário Costa Santos, Fernando Marques Ferreira, António Sousa Reis

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