03 maio 2007

Memórias de Lúcia em palco


Albina Jesus, moradora no Bairro aguardava que a peça começasse. Aos 90 anos trocou o programa habitual da noite para presenciar a peça de teatro "Memórias de Lúcia". A filha, Maria Fernanda interpretava o papel de mãe de Jacinta e ela não quis perder pitada. "Não ficava sozinha em casa", diz. Nasceu um ano antes das Aparições e ela própria cumpriu a pé, descalça, uma promessa que a levou ao Santuário. Por causa do filho que regressou são e salvo da tropa.
Entra em cena a irmã Lúcia, já idosa, que se senta a escrever as suas memórias, em particular o que faz parte da "Quinta memória" e que diz respeito à sua família. Ela própria narra a história que se segue
É salientada a bondade e cuidado da família da vidente para com os mais pobres, apresentando a peça cenas domingueiras de bailarico, a visita pascal, entre outros. Já na segunda parte, começam os visitantes a percorrer quilómetros para rezar o terço na cova da Iria com os pastorinhos e toda a situação vivida por eles, durante os seis meses em que lhes apareceu Nossa Senhora.
Na peça teatral, encenada e escrita por Norberto Barroca são recriados diversos momentos dessa vida quotidiana antes e depois das Aparições de 1917. O contraste é evidente: da alegria em casa à pressão para contar a verdade, onde a personagem da mãe de Lúcia assume relevo.
A actriz profissional Aurora Gaia, do Porto, interpretará a personagem da Irmã Lúcia em idade avançada e será a narradora da peça. Na ante-estreia, o papel foi desempenhado por Dora Conde, do grupo Apollo. Os ranchos folclóricos do concelho de Ourém colaboram também nesta iniciativa, em especial com o empréstimo de roupa e de alguns adereços.
Vida familiar
A encenação "representa um momento bonito nas celebrações porque é a tentativa de percorrer a vida familiar dos pastorinhos onde o drama, a surpresa dos acontecimentos tiveram maior repercussão", salienta o coordenador das comemorações dos 90 anos das Aparições, padre Armindo Janeiro. É uma "peça próxima da realidade, vivida com pessoas concretas e também onde todos têm de caminhar para descobrir a proposta de Deus". Os actores são do concelho de Ourém, também num "tributo à própria região" onde a vidente nasceu.
Na ante-estreia, o encenador Norberto Barroca assinalou que foi um trabalho "complexo e complicado" mas "responsável". Um trabalho que envolve 53 pessoas e que "precisa de muito tempo de preparação" já que "não é fácil a reconstituição de momentos da vida familiar".
Em palco
Estreia: 9 de Maio, 21h30, no Centro Pastoral Paulo VI (CPPVI), inserido no programa cultural do congresso teológico internacional sobre a Santíssima Trindade.
Outras datas:
24 de Junho, 16h, CPPVI.
24 Julho, 21h30, CPPVI, no âmbito do programa cultural da Semana Nacional de Liturgia.
9 de Setembro,16h00, CPPVI.
9 de Outubro, 21h30, CPPVI, na primeira noite cultural do congresso "Fátima para o Século XXI".

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